“We were both young
When I first saw you
I closed my eyes
And the flashback starts
I'm standing there
On a balcony in summer air” {…}
When I first saw you
I closed my eyes
And the flashback starts
I'm standing there
On a balcony in summer air” {…}
“I got tired of waiting
Wonderin' if you were ever comin' around
My faith in you was fading
When I met you on the outskirts of town”
Wonderin' if you were ever comin' around
My faith in you was fading
When I met you on the outskirts of town”
Cantarolava eu pelos corredores do hotel. Daquele hotel vazio e cheio de ego. Estava prestes a me despedir, estava farta de todos aqueles famosos me pedindo coisas importadas de países que nem sei se existe. “Eu quero água importada de tal pais” ou “ eu preciso do meu creme importado de tal cidade”. Pra que tudo isso? É só você ir a uma loja qualquer e comprar a água ali mesmo, ir a uma perfumaria e comprar o creme.
Sabe, venho de uma família um tanto necessitada, minha mãe pegava todos os empregos que via pela frente, meu pai trabalhava o dia e a noite inteira, ou seja, não tinham nenhum tempo para eu e meus irmãos. Nunca faltou comida ou roupas para nós, mas sentíamos falta de uma coisa um pouco mais importante: carinho. Afinal, mamãe trabalhava de dia e chegava depois que nós adormecíamos e meu pai não parava em casa.
Eu cuidava de meus irmãos, como obrigação de irmã mais velha. Tenho dezoito anos hoje, na época tinha doze e meus irmãos, Eduardo e Mateus tinham cinco, eram gêmeos. Não íamos a escola, por falta de recursos de transportes, mau conseguíamos comprar sapatos novos, então imagine comprar um carro.
Morávamos em uma casa um tanto quanto pequena para cinco pessoas, dois quartos, um banheiro e uma cozinha.
Certo dia, papai chegou em casa cedo e com sorriso no rosto, dizendo que iríamos nos mudar para Atlanta, pois finalmente conseguiu sua promoção. Eu e meus irmãos ficamos muito entusiasmados, logo no final de semana seguinte nós fomos. Só para você ter noção, todas as nossas roupas couberam em apenas uma mala de um metro, mas não nos importamos muito com essas coisas, mamãe pegou suas economias e comprou uma roupa nova para cada um da família.
Lembro-me de olhar as vitrines com os olhos brilhando, não era todo dia que íamos comprar roupas, a maioria de nossas vestimentas eram doadas de vizinhos e amigos.
Eu não me conformava de ver as crianças mimadas, esperneando por que não gostaram do presente que recebeu, eu ganhava apenas um presente por ano e olhe lá, enquanto as outras crianças ganhavam de cinco a dez presentes.
Acho que as pessoas têm que começar a perceber e valorizar o que tem e pensar nas pessoas que não tem absolutamente nada.
Observava aquelas roupas nos manequins e as imaginava em mim. Olhava para minha mãe algumas vezes, e ela tentava ocultar uma expressão de tristeza com um sorriso forçado.
Perdi a vontade de roupas novas, mas minha mãe insistiu.
Digamos que a promoção de papai não deu muito certa, eles tiveram que voltar para nossa antiga cidade, mas eu decidi ficar, pelas oportunidades que lá havia, comecei a escola e já estava pensando na faculdade.Papai morreu depois de uns tempos, ele teve um infarto, foi uma época bem difícil para a família.
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